Visitei recentemente o Templo Gilsangsa, em Seongbuk-dong, um bairro tranquilo no norte de Seul, aos pés do Monte Samgak. Diferente da maioria dos templos budistas da Coreia, que costumam ficar afastados nas montanhas, o Gilsangsa fica dentro da cidade — mas basta cruzar o portão de entrada para sentir que o barulho de Seul ficou para trás.
O que mais me chamou atenção não foi só a paisagem, e sim a história por trás do lugar. O Gilsangsa não nasceu como templo. Durante décadas, o terreno abrigou o Daewongak, uma das casas de banquete mais luxuosas e conhecidas da Coreia. A transformação desse endereço de luxo em um templo budista é uma das histórias mais comentadas de Seul até hoje.
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| Foto: Korea Tourism Organization (KOGL Type 1) |
Como uma casa de banquete luxuosa virou templo budista?
A dona do Daewongak era Kim Young-han, também conhecida pelo nome Jaya. Em 1987, depois de ler o livro Musoyu (“Não Possuir”), do monge budista Beopjeong, ela ficou profundamente tocada pela ideia de viver sem apego a bens materiais. Decidiu doar o terreno e as mais de 40 construções do Daewongak — avaliado em cerca de 100 bilhões de wones — para que o lugar se tornasse um templo.
Beopjeong recusou a doação por anos. Só em 1995 ele aceitou, e em 1997 o espaço foi inaugurado como Templo Gilsangsa, da Ordem Jogye do budismo coreano. Muitos dos prédios do antigo restaurante continuam de pé e hoje funcionam como salões do templo, o que dá ao Gilsangsa uma atmosfera diferente da maioria dos templos coreanos: mais aberta e acolhedora para quem nunca visitou um templo budista.
Qual é a história de amor por trás do Templo Gilsangsa?
A parte que mais me emocionou foi a história pessoal de Kim Young-han. Em 1936, quando trabalhava como gisaeng (artista de banquete tradicional coreana), ela conheceu o poeta Baek Seok em Hamhung, no norte da península. Os dois se apaixonaram, mas a família dele não aceitou a relação. Baek Seok partiu prometendo voltar, e a divisão da Coreia os separou para sempre. Ele morreu na Coreia do Norte em 1996, sem nunca mais revê-la.
Anos depois, já rica com o Daewongak, Kim Young-han doou tudo sem pedir nada em troca. Ela morreu em 1999, dois anos depois de ver o Gilsangsa nascer.
O que ver no Templo Gilsangsa?
O salão principal é o Geungnakjeon, dedicado ao Buda Amitabha — o Gilsangsa, diferente da maioria dos templos coreanos, não tem um Daeungjeon. Vale subir até o Jinyeonggak, onde ficam o retrato, manuscritos e objetos pessoais do monge Beopjeong, incluindo uma cadeira de madeira que ele mesmo fez.
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| Foto: Korea Tourism Organization (KOGL Type 1) |
Outros pontos para visitar: o Seolbeopjeon, usado para grandes sermões e cerimônias; o pavilhão do sino; um pagode de pedra de sete andares; e uma árvore zelkova protegida com cerca de 200 anos. Em 2013, o Gilsangsa foi reconhecido como Patrimônio Futuro de Seul.
Dá para meditar ou fazer templestay no Gilsangsa?
Sim. O templo tem a Casa do Silêncio (Chimmugui Jip), um espaço aberto ao público para meditação em silêncio, e oferece um programa de templestay para quem quer conhecer de perto a rotina budista. As inscrições e a programação ficam no site oficial do templo, na seção de templestay.
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| Foto: Korea Tourism Organization (KOGL Type 1) |
O que saber antes de visitar
- O Gilsangsa é um templo em funcionamento: fale baixo e respeite quem está rezando.
- As áreas onde vivem os monges não são abertas ao público.
- Não é permitido fotografar dentro do Jinyeonggak.
- Horários, eventos e programas podem mudar. Confira o site oficial antes de ir.
Informações básicas do Templo Gilsangsa
| Nome | Templo Gilsangsa (길상사) |
|---|---|
| Endereço | 68 Seonjam-ro 5-gil, Seongbuk-gu, Seul (서울특별시 성북구 선잠로5길 68) |
| Telefone | +82 2-3672-5945 |
| Ordem | Ordem Jogye do budismo coreano |
| Site oficial | gilsangsa.or.kr (em coreano) |
Como chegar ao Templo Gilsangsa
A estação de metrô mais próxima é a Hansung University (한성대입구역), na Linha 4. Saia pela saída 6 e escolha uma das opções:
- Ônibus de bairro Seongbuk 02: desça no 9º ponto, “Gilsangsa” (길상사).
- Ônibus Seongbuk 03, 1111, 1112 ou 2112: desça no 5º ponto, “Seongbuk-gu Museum of Art / Ssangdari” (성북구립미술관·쌍다리앞), e siga pela rua principal. São cerca de 10 minutos a pé até o templo.
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Dica
Leve anotado o nome do templo em coreano (길상사): ajuda a conferir as placas dos pontos de ônibus. Se você está em Seul e quer fugir um pouco do ritmo da cidade sem sair dela, o Templo Gilsangsa vale a visita — não só pela paisagem, mas pela história rara de amor e desapego que deu origem a esse lugar.
Fonte: Korea Tourism Organization (TourAPI), KOGL Type 1


